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segunda-feira, 10 de março de 2014

Felicidade Realista

 A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor?
Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Martha Medeiros
SINTONIZANDO A DIVINDADE INTERIOR: instantes de reflexão


Muitas são as atribulações que nos acometem todos os dias. Preocupações, medo, ansiedade, desejo eminente de controlar o futuro. Inúmeras são as vezes que nos percebemos perdidos em um passado remoto, repleto de incompletudes, ou ansiando, por meio de nossos desejos individualistas, construir o futuro conforme nossa noção de verdade.
Frequentes também são as frustrações, a instabilidade, a tristeza, a nossa incapacidade de enxergarmos além de nos mesmos, além da nossa realidade particular. Com isso, delineamos um real de certeza sobre como devem ser os acontecimentos, as reações alheias, a resultante de nossas ações.
Dessa forma, diárias são também as frustrações, posto que a busca pela completude, pela felicidade plena e constante jamais é atingida em sua plenitude. Conseguimos sim, momentos de felicidade, mas nunca uma sensação edificante, motivadora, reestruturante, pois buscamos nos completar na incompletude do outro, na idealização, na aspiração de atitudes que nem mesmo nós somos capazes de tomar. Constantemente, buscamos nos realizar com algo exterior, um salário mais alto, um cargo de maior autoridade, mais empregos, mais dinheiro, a superação de si mesmo e principalmente a superação dos outros. Os outros que estão dentro e fora de nós. Os outros que são parte da outricidade que deveria me completar, mas que normalmente dilacera, esfacela minha autonomia diante de mim mesmo e de como eu deveria me sentir diante das pessoas e das situações.
         E, em meio a tanto trabalho, a tantas tribulações que perpassam nossa existência terrena, nos focamos em vários tempos, mas raramente estamos no tempo presente, encarando-o como uma dádiva, que ao ser constituído por ações, pensamentos, frequências, desejos, e persistência, funcionará como uma base estruturante para consolidação de um futuro, talvez, e muitas vezes, não da forma que o imaginamos, mas da forma que o emitimos para o universo.
O futuro aqui, não é algo manipulável apenas por um desejo extremo, centrado em um eu autônomo, desvinculado de suas emoções e dos corpos que o constituem, mas sim, enquanto um efeito, uma resultante de posturas que tomamos no presente, frequências que emitimos. Destarte, vamos selecionando, dentre as infinitas possibilidades, caminhos, que nos conduzirão a determinadas respostas  e não outras.
         Dessa maneira, vivemos como se fossemos de ferro, como se colecionar angústias, preocupações, desejo de sempre ter mais, insatisfação consigo mesmo, com as coisas e as pessoas, fossem as únicas frequências a nos constituírem, pois precisamos ser fortes, precisamos ter dinheiro, precisamos ter status, precisamos sempre de mais. E por isso, não há tempo para apreciar coisas simples, grande é o barulho que existe dentro e fora de nós.
         Esquecemo-nos, de olhar para dentro, de buscar emitir uma frequência que emane paz. Esquecemo-nos porque já não conseguimos silenciar os gritos que ecoam na alma, porque muitas vezes as frustrações são grandes demais. Sensação de vazio, solidão, medo, pânico, insônia...
Imensa é a necessidade de sermos protegidos, mas não podemos sentir, estamos sempre muito ocupados protegendo, algo ou alguém. A pessoa a quem julgamos que amamos, a posição no trabalho que é muito importante, a relação de poder, o desejo de sobressair ao outro, seja em uma conversa formal, seja em uma discussão em casa... Queremos sempre mostrar que somos os melhores.
         Melhores, sim! Talvez realmente sejamos muito bons. Mas o questionamento que não fazemos é: somos bons em quê? Bons em denegrir a imagens dos outros, em minar nossa alto-estima, em crer que Deus fará tudo, que basta pedir e ter fé? Bons em não nos movermos para alcançarmos uma evolução no sentido literal da palavra?
         Desejamos ser bons, mas nem sempre o somos. Desejamos ter bens materiais, mas apesar das frequentes lutas, por mais que ganhemos, nunca é o suficiente, pois somos consumistas, então quanto mais se ganha, mais se gasta e a vida se resume a uma luta frenética para conseguir pagar as contas. Contas materiais, contas cármicas que vamos acumulando ao longo dessa caminhada irreflexiva, sendo levados pela maré, sendo empurrados não pelo que necessitamos, mas pelo que é selecionado pela maioria como sendo o ideal. Com isso, a essência se perde. Vamos esquecendo nossas habilidades, nossos reais anseios, nossos desejos originais, quem somos e porque estamos aqui.
         E assim, a tristeza se instala, quando encontra espaço vazio demais. Quando nos comportamos de forma inflexível, quando nos consideramos donos da verdade universal, quando importa o que eu quero e não como as coisas de fato são.
O vício da auto-piedade se fortalece e ganha força, quando não conseguimos enxergar as possibilidades e ignoramos que somos uma criação do SENHOR DO UNIVERSO e que, portanto, ele não está fora, mas está dentro de nós, pois temos sua essência em nosso ser.
A incerteza aumenta, quando não temos certeza do que realmente desejamos e por isso, qualquer caminho parece perigoso demais. Então, nos tornamos dependentes da compaixão alheia. Passamos a nos nutrir então, não da fonte universal, mas dos intensos picos de frequências emocionais que, apesar de causarem dor, anestesiam e dopam e dão uma anuência de não precisar fazer mais nada, pois a piedade alheia torna-se migalhas que satisfazem, mas ao mesmo tempo sufocam que aconchegam e inquietam. Tudo isso ocorre, porque escolhemos ignorar quem somos, o que somos e o porquê estamos aqui.
         Talvez o caminho não esteja nos livros, nem nas terapias, ou nos excessos de medicação ingeridos a cada dia. Talvez a solução esteja dentro de nós. É preciso parar alguns instantes de olhar para si enquanto um ser autossuficiente e buscar encontrar o seu eu superior. A parte divina que está guardada, adormecida dentro de nós.
         Afinal, o que vale, não é o que atingimos aqui nesse planeta, mas como fizemos o percurso, como interpretamos e sentimos cada situação, como isso se constrói dentro de nós e é partilhado com o universo sob a forma de energia. Centre seu amor no PAI e mentalize para que ele o distribua da melhor maneira sob a forma de uma frequência que seja capaz de transformar, motivar, edificar, abrandar os egos e exaltar o eu interior de cada ser, colocando-os na maior e mais transformadora energia conhecida e divulgada pelo Cristo, a frequência do amor.
Luz,

 Gabriela Belo

sexta-feira, 11 de março de 2011

Almoço de domingo, aos 10 anos

Tudo começa com a escolha do frango: é óbvio que tem de ser caipira. Não muito jovem, por que senão ficaria parecendo pombo, nem já quase galo, para a carne não ser dura. Meu velho usava os olhos e um cacete, normalmente um pedaço galho retorcido, de uns 60 cm e pesando uns 2 quilos. No mais das vezes, bastava uma; ele quase sempre acertava de primeira. Sabendo disso minha mãe já deixava a água quente, para depenar o abençoado. Limpá-lo e picá-lo era tarefa do meu pai. Minha mãe limpava a guariroba. Eu ia até a horta: a salsinha mais fresca, algum cebolinha. três ou quatro pimentas olho de bode, amarelas e sadias. O Açafrão-da-terra já tínhamos, era o que colhíamos todo ano. Refogado bem o frango, colocava-se o açafrão da terra, sal e água. O cheiro verde era para quando se retirasse a panela de ferro do fogo.
Enquanto isso, na boca maior do fogão a lenha, taca a água para ferver, fazer o macarrão, daqueles grandes, de 60 cm, grossos também. Minha mãe a ralar o queijo e meu pai a preparar o molho: bastante extrato de tomate e cebola, alho com fartura. Na terceira boca do fogão, a segunda menor, se fazia o angu de milhop verde, um clássico; na menor o alho ia dourando na banha de porco, só esperando o feijão roxinho, bem cozido, que seria refogado e batido a mão, com rosetas de inox. Serviço de menino.
Com as coisas bem adiantadas, era hora de cortar o alface, fresquinho da horta e já lavado na bica, de folhas enormes. Coisa bem feita, de mãe mesmo. Meu pai batia o pepino, uns três, de tamanho médio, batidos até ficarem pequenininhos. Daí, ato final, acrescentar o cheiro verde, cortar os tomatões (havia vermelhos e amarelos) em rodelas grossas, generosas.
Pratos esmaltados em branco, com desenhos quase infantis. Os garfos eram do tempo de meu avô: na roça não se usava quase faca de mesa. Suco era da fruta que houvesse na época: o pomar era extenso e variado na sua generosidade sazonal. Mas clássico mesmo era limonada, de limão cravo.
Comia-se numa alegria ruidosa, por sobre a mesa mais velha que o mundo, grande e de aroeira. Almoço feito? Hora do “quilo”. Pai e mãe. Por que eu pegava minha felicidade incontida, pisava no piso de tábuas de madeira, descia a escada, atravessa o rego d’água, o mangueiro dos porcos, imenso e com a sombra de 30 mangueiras e ia dar no córrego. Se tivesse jambo ou angá, claro que os comia.
Mas se não, nem me importava. Minha felicidade era colocar os pés dentro da água e olhar os peixes no fundo raso, a imaginar cada lambari como se fôra um dourado,  e eu, o imaginário imperador dos peixes do mundo, com a felicidade que as pessoas todas deveriam ter, aos 10 anos.
por http://www.blogdoatheneu.org/blog/?p=3448